- O que o papai tem? - Perguntei inocente.
- Ele está apenas pensativo, Hariel. - Sorya diz sorrindo pra filha. - Aqui não é lindo?
- Sim, mãe! Não pensei que neste mundo tivesse uma cidade tão bonita, mas sinto um pouco de falta de ar. - Eu disse tocando em meu peito.
Sorya apenas sorrir, massageando o peito da filha. - Você irá se acostumar, o ar daqui é pesado, assim mesmo.
- E dá pra voarmos? - Eu perguntei com uma carinha de medo.
- Mas é claro minha filha. - Não resistindo, Sorya ri da inocência da Filha.
De repente, chegamos à uma mansão proxima do mar, onde tinha um chão batido e cinza claro com um "H" desenhado no meio de amarelo, era noite e a letra era brilhante, como se fosse magia de luz, algo do tipo.
- Pai?!? O que é isso? - Perguntei enquanto olhava para baixo pela janela do helicoptero.
- Nossa nova casa, minha filha! - Ele tenta sorrir pra mim, mas eu sabia que ele não estava feliz em estar naquela cidade.
Após o pouso, papai me deixou a vontade para conhecer a casa...
Entramos pelos fundos da casa, a cozinha tinha tudo de mais moderno, naquela epoca só conhecia algumas coisas que meu pai me dava quando voltava de missões, fiquei encantada com nossa casa.
Em seguida, me dirigi para a sala, entrei numa sala escura com apenas uma TV e moveis aparentemente bem confortaveis. Tudo muito escuro.
- O que deve ser isso? - Disse estranhando o ambiente.Hoje sei que era um Home, e que eu iria adorar aquele lugar...
Prossegi pela casa, visitei a nossa enorme sala de estar, e subi as escadas onde visitei todos os quartos até escolher o meu...
- Vejo que encontrou seu quarto. - Minha mãe me disse logo após eu ter entrado e pulado na cama.
- Adorei este, posso ficar? - Disse com uma voz animada.
- Mas é claro, pensei que iria gostar mesmo por isso mandei fazer do jeito que você gosta. - Diz sentando na cama onde eu estava sentada.
- Obrigada, Mãe! Adorei o quarto. - Disse abraçando-a.
- Já viu seu banheiro? Tem uma banheira, assim não sentirá falta dos rios da nossa cidade. - Disse sorrindo. Apesar de ser um pouco menor,e você não precisará tomar banho com roupas, pode tomar banho a vontade.
Eu sorrir e corri atrás do banheiro. Ao encontra-lo, me deparei com um banheiro todo em pedra com uma especie de lago dentro. Perfeito pra quem adora, tomar banho.
Voltei ao quarto e perguntei.
- Quando Mick, virá nos visitar? Amanha?
Minha mãe baixou a cabeça, - Não será tão fácil, querida!
Papai entrou no quarto, e disse:
- Ele não pode sair de lá, não poderá vim aqui.
- Mas Pai, porque? Ele vive mais com a gente do que com a familia dele.Foi o Tio que não deixou? - Falei com a carinha confusa.
- Não, Hariel. Ele precisa de permissão para sair da cidade. E para isso ele precisa de um responsável.
- E porque o senhor não se responsabilizou? - Eu falei já com um tom irritada.
- Porque meu irmão, não estava lá. Ele está em missão, e não posso sair trazendo o filho dele pra qualquer canto.
- Pai. Quero o Mick aqui! - Disse quase aumentando o tom.
Minha mãe, se levantou. - Calma, hariel.Queremos o Mick aqui também, mas não tinhamos permissão para traze-lo precisamos esperar o seu tio voltar.
- Ele está sozinho, lá!!! - Gritei segurando o choro, e sai correndo, sem nem ao menos saber pra onde ir.
Lembro-me que passei dias sem falar com o papai, até que. Um dia, cheguei em casa com a mamãe, e ao entrar em casa ouvi a voz de Mick,num tom triste.
- Ele morreu na missão. Não tenho mais ninguem além de vocês. Deixe-me ficar tio, a cidade autorizou minha vinda.
Após uns segundos de silencio, momento em que me aproximava do escritório.
- É claro que você pode ficar. Meu pai falou em um tom que nunca havia sentido em sua voz, triste e desatordoado.
- Sua vó já sabe sobre seu pai? - diz preocupado.
- Sim, ela que fez com que me permitisse vim pra cá.
- Como ela está?
- Sabe como é a vovo, se fazendo de forte.Mas as empregadas preocupadas, disseram que ela chora muito a noite.
Eu entrei na sala, ignorando o clima.
- Mick!!!! Corri para abraça-lo. Estava com tanta saudade!
- Eu também, Ruivinha! - Diz forçando um sorriso.
Acariciei o rosto dele, tentando consola-lo como ele sempre fez comigo. - Vai ficar tudo bem, você está com sua familia agora também!
Olhei pro meu pai, e depois de dias sorri. Vi que ele estava um tanto sem reação, acredito que tenha sido pela noticia do Tio. Não sinto que fui fria, naquela situação mal conhecia meu tio, e Mick era mais um irmão do que um simples familiar.
Abracei Mick e fui levando até o local onde imaginei que ele gostaria que fosse seu quarto. Pra minha surpresa o quarto dele já havia sido selecionado e já estava decorado, realmente parecia-se com Mick. Despojado mas serio.
Ele ficou surpreso, com o quarto.
- É pra mim? - Perguntou-me sem entender.
- Sim, bobinho. - Disse empurrando-o pra dentro do aposento.
Após permiti-lo olhar todo a suite, iniciei novamente a conversa.
- Vamos tenho tanta coisa pra te mostrar.
- Sei que você não é tão ligado a tecnologia daqui, mas...
- Quem disse? Depois de 10 anos vivendo com vocês, sei mas que um anjo deveria saber, minha cara. - Diz já melhor de humor.
- Vamos pra piscina, anda vai se trocar. Te espero lá em baixo. - disse fechando a porta.
Depois de uma meia hora, encontrei-o na piscina, pensativo novamente. O abracei por trás.
- O que houve, Mick? - Achei que não se importava tanto assim com ele.
- Eu tambem. Mas apesar de mal nos conhecermos, como pai e filho. O laço era mais forte que eu imaginava. - diz enchendo o olhos de água.
- Como soube o que aconteceu? - perguntei curiosa e ao mesmo tempo tentando faze-lo desabafar.
- O Julie, aquele anjo mensageiro da vó, me deixou o comunicado de sua morte e desaparecimento em missão, e que todos os bens dele agora são meus.
- Nossa! Então ela soube antes. - Disse concluindo um raciocinio.
- Parece que sim. Ela não foi nem me ver. Não consigo acreditar que ele tenha caido em missão. Ele era tão cuidadoso. - Mick me disse revoltado.
- Não sei o que lhe falar, irmãozinho. - Disse demonstrando estar triste e preocupada com ele.
- Tudo bem, apenas continue a sorrir...isso já me alegra! - Disse olhando nos olhos de Hariel.
- Agora com você aqui, fica mais fácil! Eu pulei na água molhando-o todo.
Anos se passaram, e nós quatro eramos muito felizes, com o tempo, Mick esqueceu da dor, e voltou a ser um rapaz alegre, sempre fazia brincadeiras com papai, só para irrita-lo. Estudamos juntos na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ), ele me protegia de encrecas com os humanos, além de ser meu melhor amigo. Ele me ensinou a me enturmar nos grupos, fizemos teatro, mas percebi que ele não gostava muito. Vivia inventando problemas pra não ir...rrsrsrs
Quando chegou o dia da missão onde minha mãe morreu, Mick teve que se apresentar na catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, para receber a missão de cuidar de um empresário do Rio de Janeiro.

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